
Igor ·
Guilherme
COMO FOI USAR UM GESSO PONSETI PELA PRIMEIRA VEZ
Foi realizar o sonho de um tratamento eficaz, humanizado, com programação
definida e indolor para meu filho.
Minha busca
Saí da maternidade com meu bebê e entrei num labirinto
com vários minotauros gritando: "cirurgias e mais cirurgias",
"seqüelas", "dores pela vida toda". Mesmo assim
nunca aceitei que o único tratamento fosse fazer meu filho quase
desmaiar de tanta dor na manipulação usual e depois seguir
para várias cirurgias. E muito pior, não ver resultados.
Os gritos do meu filho foram mais altos. Na verdade, eles é que
teceram o fio para eu manter minha sanidade, conseguir sair do labirinto
e não desistir de buscar um outro tratamento.
Descobri a técnica Ponseti. E agora?
Quando descobri que havia sim o tratamento que eu idealizava (pesquisando
pela Internet), fiquei feliz e triste ao mesmo tempo: impossível
ir aos EUA toda semana! Já tinha consultado vários professores
e profissionais dos mais respeitados e nenhum dominava esta técnica.
Então coloquei para mim mesma: se pessoas do mundo todo vão
estudar com a equipe do Dr Ponseti, deve ter havido alguém de
São Paulo. E se houve, vou encontrar este médico.
Ao telefone com Dr Ponseti
Liguei para o Instituto de Iowa e pedi uma indicação.
O próprio Dr Ponseti me ligou logo em seguida! Não podia
acreditar...Ele me perguntou tudo sobre o tratamento de meu filho e
disse que me indicaria uma médica. Foi enfático: "Não
opere seu filho" No dia seguinte já estava marcando uma
consulta com a Dra Monica.
A primeira consulta com a Dra Monica
Se já estava tocada com a atenção e a simparia
do Dr Ponseti, o que da Dra Monica ? Ela nos acolheu de uma maneira
que nunca vou esquecer. Felizmente não encontrei somente uma
ótima médica com uma ótima técnica. Desde
o nascimento do meu filho era a primeira vez que eu estava diante de
uma ortopedista interessada, atenciosa e dedicada. Ela não tratava
os pés do meu filho como mais um caso do dia em que se seguiria
o protocolo. Tinha certeza que finalmente estava no caminho certo.
Minha opinião e os resultados do tratamento
É uma técnica que não entende só de pé
torto e sim de gente, pois respeita, é maleável e corrige
sem agredir.
Descobri que:
- Há uma tabela com parâmetros para os graus da deformidade:
- Deve-se medir os ângulos de flexão dos pés a cada
gesso. Ou seja, o controle não é apenas visual. Existe
um sistema para calcular a correção meticulosamente;
- Cada gesso é feito com um objetivo específico de correção.
- É possível engessar sem machucar ou causar inchaço
nas pernas e pés.
- Ao retirar o gesso no consultório, não se perde a correção
anterior.
Enfim, todo o tratamento é controlado, programado. Não
um simples tatear no escuro, uma tentativa. Além de ser mais
rápido (cinco a sete gessos, e não seis meses) cada manipulação
é totalmente indolor. Algumas vezes meu filho chegou a dormir
durante a confecção do gesso, inclusive após a
tenotomia.
Quando eu vi os pezinhos de meu filho corrigidos, mal conseguia olhar
pois tinha finalmente realizado o que parecia ser um sonho: evitar as
cirurgias. Falando assim parece que tudo foi como num conto de fadas.
E de certa forma foi mesmo. Como eu poderá imaginar isso na maternidade,
lá dentro do labirinto com os famintos minotauros? Todo o trabalho
para chegar até aqui não foi nada perto de toda a dor
e as conseqüências que pude evitar para meu filho. Isso para
mim é que é o conto de fadas: eu venci os minotauros!!!!!
A história ainda não acabou : há todo m trabalho
para manter a correção. Mas ele requer ingredientes que
já estão em uma mãe.Pois todas nós para
criarmos nossos filhos precisamos de disciplina, perseverança
e firmeza.
Muito obrigada Dra Monica e Dr Ponseti!